quarta-feira, 10 de junho de 2009

Psicopatas não reconhecem seus semelhantes como seres humanos

Psicopatas
Pessoas manipuladoras, sem nenhuma consideração pelo próximo, sem inclusive reconhecer seus semelhantes como seres humanos. Essas e outras tantas características descrevem o psicopata. Retratado muito bem pela personagem Ivone na novela Caminho das Índias, interpretada pela atriz Letícia Sabatela.

Dentre tantas peculiaridades do psicopata a que mais chama a atenção é a ausência de culpa. O psicopata usa as pessoas para obter o que deseja, seja usando a crueldade para obter prazer, ou através da usura e exploração. Tem para si que seus atos não são maléficos e não causam nenhum dano a outrem, assim como não reconhecem suas atitudes como erradas. Ele não entende porque as pessoas ficam aterrorizadas perante suas atitudes. Isso se deve ao fato dele não reconhecer os sentimentos humanos, não podendo, assim, ter uma empatia com o outro.
Além disso, diferentemente do que se pensa essa patologia não causa delírios ou alucinações.
A psicopatia muitas vezes se manifesta ainda na infância e geralmente é confundida com agressividade. Crianças que manifestam crueldade gratuita, principalmente com animais, devem ser bem observadas.

Nas situações em que o psicopata não pratica atos passíveis de punição judicial, pode ter uma ascensão profissional digna de nota. Prejudicando os colegas e sendo desprovido de escrúpulos para obter benefícios próprios, o psicopata consegue, por exemplo, subir de cargo em uma empresa, ou manter-se no poder usando subterfúgios imorais ainda que sem cometer atos ilícitos. Quem não conhece alguém assim?

Estudos avaliam as diferenças entre os psicopatas não criminosos e os psicopatas criminosos. Tais estudos não chegam a uma opinião conclusiva para a questão: os psicopatas não criminosos não cometeram crimes ou apenas conseguiram ludibriar a polícia? As avaliações feitas nesses dois grupos de psicopatia mostraram semelhanças no comportamento de ambos, quase indistinguíveis. Os estudos revelam também que a personalidade e a propensão para atitudes imorais são semelhantes entre os grupos. O que os diferencia basicamente seria o meio onde o indivíduo está inserido, se beneficiado com educação e segurança familiar, a faceta criminosa não seria instalada.
Esses estudos visam principalmente desmistificar algumas idéias acerca dos psicopatas que normalmente são associados a maníacos criminosos com disfunções neurológicas. Ao contrário do que se pensa a maioria dos psicopatas não são violentos e a maioria das pessoas violentas não é psicopata.
Especialistas dizem que os psicopatas em sua grande maioria são homens. Os motivos para esta desproporção entre os gêneros ainda é desconhecido. A frequência entre as populações é praticamente a mesma, não havendo alterações estatísticas entre ocidentais e orientais e nem entre populações que tem ou não acesso a culturas modernas
Agora vamos divagar no tema. A Ivone da novela é uma mulher inescrupulosa e usa de todos os artifícios para conseguir dinheiro. É uma psicopata.

E os homens que usam de todo o tipo de artifício para obter sexo e conquistar mulheres sem critério nenhum, fazendo as pobres donzelas sofrerem e quiçá traumatizando-as para todo o sempre? Sob a óptica das definições encontradas, o psicopata é um ser altamente sociável, encantador, manipulador, e não tem remorso ou culpa dos seus atos. Seria o cafajeste um psicopata?
Roberto Carlos
http://www.sexoerelacionamentos.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=287:psicopatas&catid=42:ser-sobre-comportamento&Itemid=73

Os psicopatas se divertem com o medo alheio?

Quando a maioria das pessoas pensa em assassinos como o "Maníaco do Parque" ou o "Bandido da Luz Vermelha", imagina pessoas que se sentem compelidas a infligir sofrimento a outros seres humanos, que apreciam causar medo e não sentem remorsos por suas ações. E, de maneira geral, essas caracterizações procedem completamente. Os assassinos seriais (e muitos outros tipos de criminosos violentos) são tipicamente considerados psicopatas, com traços agressivos e anti-sociais.
Mas nem todos os psicopatas são violentos - alguns são "simplesmente" manipuladores, desonestos e incapazes de experimentar emoções profundas, e podem se integrar à sociedade com relativa facilidade. Um executivo de empresa cujas trapaças levem seus funcionários a perder o dinheiro economizado para suas aposentadorias e deixa seu posto sem demonstrar qualquer traço de arrependimento pode ser um psicopata. Psicopatas, violentos ou não, não dispõem de consciência, de um compasso moral. Não experimentam sentimentos de culpa pelos crimes e traições que cometem.
Um recente estudo do cérebro de psicopatas conduzido pelo British Journal of Psychiatry pode nos esclarecer um pouco sobre o que acontece - ou não - nas cabeças dessas pessoas.
Os psiquiatras e pesquisadores sabem há anos que os psicopatas respondem de maneira diferente aos estímulos externos, e teorizaram que essa resposta anormal está enraizada no cérebro.
A idéia é que os psicopatas processam informações de maneira diferenciada dos não-psicopatas, e numerosos estudos que empregam ressonância magnética funcional (fMRI) para visualizar a atividade cerebral sustentam essa interpretação. Em 2003, um estudo apresentado em uma conferência realizada no Reino Unido demonstrou que quando pessoas "normais" mentem, existe atividade ampliada no lobo frontal, que sugere uma experiência de culpa e desconforto; mas quando os psicopatas mentem, não existe intensificação da atividade cerebral. Um estudo anterior constatou que quando psicopatas vêem palavras com pesada carga emocional, como "estupro" ou "assassinato", as mudanças que ocorrem em sua atividade cerebral diferem completamente das mudanças que ocorrem nos cérebros de não psicopatas, diante das mesmas palavras. A atividade cerebral ampliada, nos psicopatas, nem mesmo ocorre no sistema límbico, o centro de processamento da linguagem.

Em 2006, um grupo de cientistas ingleses publicou os resultados de um estudo que pode oferecer informação adicional sobre a base biológica da psicopatia. Ao que parece, os psicopatas podem experimentar sinais de medo em outras pessoas de maneira que não é comparável àquela pela qual a maioria de nós o fazemos. De fato, eles talvez não sejam capazes dessa experiência.
O objetivo do estudo era testar a idéia de que os psicopatas não sentem empatia pelo que incomoda as outras pessoas - não são capazes de compreender, sentir ou reagir apropriadamente a isso -, porque não apreendem os sinais desse incômodo. O estudo em questão, por exemplo, testava as respostas de nove pessoas "normais" e de seis psicopatas criminosos a sinais faciais e vocais típicos de medo e tristeza. Todos os participantes estavam conectados a equipamentos de fMRI que mediam suas respostas neurológicas a estímulos. Nesse contexto, "resposta" tipicamente significa fluxo ampliado de sangue e/ou acionamento acelerado de neurônios, os portadores dos sinais cerebrais.
Os pesquisadores exibiam aos dois grupos de participantes dois conjuntos diferentes de imagens: um composto por rostos felizes ou neutros e outro por rostos temerosos ou neutros. As expressões neutras serviam para estabelecer o padrão de referência para a atividade cerebral.
Tipicamente, quando os não psicopatas viam um rosto feliz, as regiões fusiforme e extra-estriada do cérebro - principais responsáveis pelo processamento de imagens e expressões faciais - demonstravam ampliação de atividade, se comparadas à resposta exibida diante de rostos neutros. Os cérebros dos psicopatas também demonstravam atividade ampliada diante das expressões felizes, ainda que em grau inferior ao constatado entre os não psicopatas.
No entanto, enquanto os participantes não psicopatas demonstravam alta semelhante na atividade cerebral diante dos rostos tristes, o mesmo não se aplicava aos psicopatas. De fato, diante de imagens de rostos tristes ou chorosos, as imagens dos cérebros dos psicopatas mostravam menos atividade neurológica do que era o caso diante de faces neutras.

Os pesquisadores concluíram que, entre os psicopatas, os percursos neurológicos que supostamente processam sinais de problemas e incômodos alheios ou não funcionam, ou funcionam de maneira completamente diferente da que vemos na população como um todo. Isso poderia explicar, ao menos em parte, porque os psicopatas não se identificam com o incômodo emocional que infligem às suas vítimas.
As conclusões do estudo podem ser úteis para a compreensão de como a psicopatia funciona em nível neurológico, mas em artigo para a BBC News (em inglês), o pesquisador Nicola Gray, da Universidade de Cardiff, que estuda psicopatas, explica que "ainda estamos bem longe de descobrir o que se pode fazer a respeito".
Os psicopatas se divertem com o medo alheio?por Julia Layton - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Compreender melhor o funcionamento dos psicopatas é uma tarefa de importância vital para a humanidade

PSICOPATIA

Acorrei, espíritos que velais sobre os pensamentos mortais! Tirai-me o sexo e, dos pés à cabeça, enchei-me até transbordar da mais implacável crueldade! Fazei que meu sangue fique mais espesso; fechai em mim todo acesso, todo caminho à piedade, para que nenhum escrúpulo compatível com a natureza possa turvar meu propósito feroz, nem possa interpor-se entre ele e a execução! Vinde a meus seios e convertei meu leite em fel, vós gênios do crime, do lugar de onde presidis, sob substâncias invisíveis, a hora de fazer o mal! Vem noite tenebrosa, envolve-te com a sombria fumaça do inferno para que meu punhal agudo não veja a ferida que ele vai fazer e para que o céu, espiando-me através da cobertura das trevas não possa gritar-me: ´´ pára! pára! ``.Lady Macbeth, nos momentos que antecedem ao assassinato do rei Duncan, que dorme em seu castelo como hóspede.
A tragédia de Macbeth.William Shakespeare.

A citação que abre esta publicação, proveniente de uma peça teatral, mostra de uma forma vigorosa e dramática aspectos profundos do tema que trataremos agora.
Compreender melhor o funcionamento dos psicopatas é uma tarefa de importância vital para a humanidade. O número de portadores deste transtorno cresce vertiginosamente e eles se infiltram em todos os âmbitos do tecido social, do direito à medicina, da polícia ao mundo dos negócios e principalmente na política.
O resultado é a condição de total insegurança que vivemos nas ruas, no transito e dentro de nossas casas. A ação de psicopatas dentro de grandes empresas quebram a confiança de acionistas e investidores que não acreditam nos dados fornecidos pelas empresas e em seus auditores.O acionar dos psicopatas no mundo da política tornou o mundo mais empobrecido e sem perspectivas para bilhões de seres humanos.É do contingente dos portadores deste transtorno que saem os autores dos piores crimes contra a humanidade embora um grande número deles não cheguem a cometer crimes violentos.Os psicopatas são seres atormentados e que fazem sofrer outros seres humanos muito mais do que eles próprios sofrem, por razões que ficarão mais claras neste estudo.São seres muito destrutivos em suas relações com o ambiente, com eles próprios e principalmente com as pessoas com quem se relacionam.A sua conduta predatória os transforma no maior inimigo do ser humano.É muito importante delimitar o conceito de psicopatia para que não se torne um rótulo aplicado indiscriminadamente, como já ocorreu com opositores de regimes totalitários e com seres humanos levados à delinqüência como última possibilidade de sobrevivência.

- Conceito de psicopatia e seu desenvolvimento histórico
Nos estudos médicos sobre este transtorno são usados como sinônimo de psicopatia as denominações de sociopatia e transtorno de personalidade anti-social ( TPA ). Esta última denominação é a mais usada nos textos científicos.
O conceito atual de psicopatia refere-se a um transtorno caracterizado por atos anti-sociais contínuos ( sem ser sinônimo de criminalidade ) e principalmente por uma inabilidade de seguir normas sociais em muitos aspectos do desenvolvimento da adolescência e da vida adulta. Os portadores deste transtorno não apresentam quaisquer sinais de anormalidade mental (alucinações, delírios, ansiedade excessiva, etc.) o que torna o reconhecimento desta condição muito difícil.Até chegarmos ao conceito atual foi necessário o trabalho de inúmeros pesquisadores.Pinel, a partir da observação de que existiam indivíduos que se comportavam de modo irracional ou inapropriado, publicou um trabalho em 1806 sobre esta forma de ´´ loucura `` e usou a denominação manie sans delire ( insanidade sem delírio ).Um médico inglês , Prichard (1835) introduziu o conceito de insanidade moral.Depois estudiosos alemães introduziram a noção de ´´ inferioridade constitucional `` dos psicopatas.

Nas décadas de 30 e 40 os clínicos, com uma orientação psicodinâmica, estudaram o transtorno e ressaltaram a dimensão social do transtorno devido à perspectiva cultural que dominava à época. Nesta etapa nasceu a denominação sociopata.A nossa época contribuiu com os exames de imagem e funcionais do sistema nervoso, altamente sofisticados e chegamos ao conceito atual, mais neutro, de transtorno de personalidade anti-social ( TPA )

- Quais os critérios que os médicos seguem para diagnosticar o TPA?
Grande parte da comunidade científica adota os critérios do Manual Estatístico e Diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana que afirma:

Critérios diagnósticos para o transtorno de personalidade antisocial.A - Existe um padrão de desrespeito e violação dos direitos dos outros, ocorrendo desde a idade de 15 anos, como indicado por três ( ou mais ) dos seguintes:
1) falhas em adaptar-se às normas sociais que regem os comportamentos legais, indicadas pela repetição de atos que são motivos para prisão.
2) propensão para enganar, indicada por mentiras repetitivas, uso de codinomes e manipulação dos outros para benefício ou prazer pessoal.
3) impulsividade ou falha em planejar o futuro.
4) irritabilidade e agressividade, indicado por brigas e agressões repetitivas.
5) desrespeito negligente pela própria segurança ou dos outros.
6) irresponsabilidade, indicada por falhas repetitivas em sustentar um trabalho consistente ou honrar obrigações ( financeiras ou morais ).
7) falta de remorso, indicado pela indiferença ou racionalização ao ter maltratado alguém ou roubado alguma coisa.
B - O indivíduo tem pelo menos 18 anos de idade.
C - Há evidências de transtornos de conduta com início antes dos 15 anos de idade.
D - A ocorrência do comportamento anti-social não é exclusiva do curso da esquizofrenia ou de um episódio maníaco.

- Com critérios tão claros é fácil fazer o diagnóstico de TPA durante a consulta médica?
Não é nada fácil uma vez que o portador de TPA é um mentiroso contumaz.
Não existe profissional de saúde mental que não tenha sido enganado por um psicopata. Em geral têm uma boa apresentação, falam bem e são muito convincentes.

- O que pode ajudar a diminuir a enganação?
O profissional que dispõe de informações provenientes de familiares, de amigos, de registros hospitalares ou fornecidos por autoridades pode confrontar o paciente com suas mentiras, às vezes abrindo as portas para o início de uma relação terapêutica com um mínimo de sinceridade e às vezes deixando o paciente furioso e nada propenso a voltar ao médico.
- Podemos então dizer que os psicopatas criam situações clínicas difíceis?
Não existe outro grupo de transtornos mentais que seja tão interessante e tão frustrante para os clínicos. O enigma de pessoas tão hábeis para algumas coisas e tão incapazes para outras levanta questões de uma complexidade fantástica, mas a falta de continuidade nos contatos ( como veremos na parte dedicada ao tratamento ) limita muito as possibilidades de compreensão e estudo desta condição.

Todos os portadores de TPA tentam ocultar do médico os seus problemas com os relacionamentos, com a dificuldade de trabalhar e com a lei?
Não. É impossível generalizar ao falar de TPA. Cada um tem a sua peculiaridade e recursos diferentes, traduzindo a noção de um grupo heterogêneo de transtornos.Alguns falam abertamente de seus comportamentos delinquentes e de sua dificuldade de viver. Quando abrem o seu mundo interior à inspecção ( o que ocorre muito raramente ) podemos ver uma mente estéril, dominada pelo tédio e ausência de valores e objetivos de vida. Nestas circustâncias podemos compreender, diante deste vazio, a busca desesperada de estímulos e sensações, ainda que com o risco da própria vida e mais comumente da vida dos outros.

- Qual é a causa do TPA?
Não existe uma causa única que determine o TPA. É um transtorno multideterminado o que significa que é o resultado de uma somatória de fatores.

- Quais são estes fatores?
Fatores genéticos ( os parentes em 1º grau do portador tem 5 vezes mais possibilidades de desenvolver o transtorno que pessoas da população em geral).Fatores próprios da mente de cada indivíduo; cada pessoa tem uma conformação própria que é resultado da interação de fatores inatos com as experiências e relações de cuidados ( físicos e afetivos ) no início da vida.Há internalizações dos vínculos primários, o que ocorre de forma diferente em cada indivíduo, determinando que cada pessoa tenha uma arquitetura interior diferente.Fatores de ordem neurológica, que mostram alterações já bem estudadas do sistema nervoso.
Fatores de ordem social também participam. Vivemos uma época que aspira liberdade e distância de imposições autoritárias e isto influencia o desenvolvimento dos psicopatas. Os psicopatas interpretam a falta de normas que temos no mundo atual como licença para violentar os direitos dos outros e não como espaço para a cidadania.
- A vida familiar também influencia na TPA?
Sim. Exerce uma grande influência na formação de uma mente perturbada. Grande parte dos portadores de TPA vem de famílias muito perturbadas em que os pais, com frequência também são portadores de TPA. Muitos dos portadores foram vítimas de violência física e abusos sexuais dentro de suas próprias casas.Por outro lado, o surgimento de um filho com as perturbações de comportamento que mais tarde se cristalizarão com TPA, tem um efeito devastador sobre a família e pais que, em outras circunstâncias poderiam ser até razoáveis, perdem o controle do processo educativo e chegam a ficar descontrolados na tentativa de realizar a educação de um filho impossível de ser educado.

- Podemos concluir que há um verdadeiro círculo vicioso na formação de novos psicopatas?
Sim. Uma pessoa agredida e tratada com violência desde cedo na vida e mais tarde desenvolvendo o TPA será um agressor violento de seus filhos e reproduzirá o inferno no qual viveu a sua infância . Em geral eles têm muitos filhos porque constituem relações de casamentos muito precoces e muito perturbados, com muitas traições, mentiras, brigas violentas e rupturas das ligações que não são profundas. Ao quebrar-se o vínculo precario o portador de TPA em geral abandona os filhos e inicia outra vez com outra pessoa o mesmo ciclo. Como não tem sentimentos de compaixão com nenhum ser humano não há problemas de culpa pelo abandono dos filhos.
A falta de sentimento de responsabilidade por seus atos faz com que eles acreditem que os filhos que eles trouxeram ao mundo são de responsabilidadeda sociedade, da qual eles não se sentem partes.
- Seria então um meio de prevenir o aumento de portadores de TPA evitar que estas pessoas tivessem tantos filhos?
Sabemos que mesmo crianças que são criadas em lares estáveis, com boas relações afetivas podem vir a desenvolver o TPA. As que se originam de famílias enlouquecidas têm poucas chances de escaparem. Orientar os portadores de TPA para evitarem a gravidez, oferecer-lhe suporte nas épocas de maior crise, quando estão saindo de casa e tentando encontrar um lugar no mundo com uma mente inadequada, é um fator de prevenção.Estas medidas de prevenção encontram oposição em setores hipócritas da sociedade e de algumas religiões que acham que todos devem se reproduzir, em qualquer circunstância, ainda que os filhos gerados não venham a conhecer nada além do inferno da loucura, miséria e doença.

- É grande o número de portadores de TPA na nossa sociedade?
É praticamente impossível determinar na população em geral o número de indivíduos portadores de TPA. É grande a diferença de um para outro e eles se disfarçam e mentem muito. Em populações específicas, que ficam confinados estes estudos se tornaram realizáveis e são da ordem de 20% dos internados em hospitais psiquiátricos e 70% da população carcerária.Na população em geral o número estimado é de 2 a 3%, sendo a proporção homens mulheres 3: 1.Em resumo, não temos dados satisfatórios neste setor e não sabemos nem mesmo qual a proporção de portadores de TPA que chegam ao serviços médicos.

- Quando os portadores de TPA são punidos por desobedecer leis e violentar os direitos dos outros eles passam por modificações?
Eles não se beneficiam de punições e castigos e hoje se considera verdadeira a antiga afirmação de que portadores de TPA não aprendem com a experiência. O comportamento anti-social é repetitivo com ou sem punições.

- Os modernos métodos de investigação neurológico ajudam a esclarecer porque os portadores de TPA não aprendem com a experiência, mesmo a maioria tendo uma inteligência próxima da normal?
Os exames que se utilizam da tecnologia mais avançada como ressonância nuclear magnética, tomografias computadorizadas, tomografias computadorizadas com emissão de positrons e mapeamento topográfico cerebral entre outros, mostram uma elevada ocorrência de alterações no lobo frontal do cérebro ( a parte do nosso cérebro que controla as condutas de relacionamentos com os nossos semelhantes ) e anormalidades em áreas de controle das emoções ( daí a irritabilidade e às vezes ataques de fúria ).O cérebro dos portadores de TPA funciona de uma maneira lentificada com pobre estimulação interna ( daí a busca de situações que criem emoções fortes, mesmo perigosas ) e são cérebros considerados como pouco amadurecidos ( dificuldade de aprendizagem, mesmo com punições ).Um provável amadurecimento cerebral explicaria porque muitos portadores de TPA estabilizam e até diminuem a sua perturbação em sua 3º ou 4º década de vida , ocorrência que é denominada de ´´ desgaste ``.

- Como é a vida profissional de um portador de TPA?
Os que chegam a constituir uma certa carreira profissional e tem muito entrecortado por demissões, problemas com superiores, problemas com condutas ilegais e de convivência com colegas. Não chegam a postos mais elevados e constantemente têm problemas financeiros, reforçando o lado parasitário e predador deste transtorno. Outros nem isto conseguem e sobrevivem de tráfico de drogas, prostituição, roubos e sequestros.É o que conseguem com uma mente nada sofisticada e nenhum entendimento do mundo afetivo das pessoas que têm os sentimentos normais.Aqueles que têm uma mente mais sofisticada chegam a ter sucesso momentâneo em profissões liberais, nas atividades empresariais e sobretudo na política. Mas é só questão de tempo para a queda. Não é possível enganar a todos o tempo todo.

- Tendo noção do que é um psicopata como podemos nos proteger de sua ação predatória?
Como um todo social tivemos nas últimas eleições uma experiência de rejeitar nas urnas predadores e enganadores notórios, mostrando que o conhecimento das práticas destes indivíduos traz a rejeição e a consequente proteção.No nível individual devemos ter mais observação e conhecimento das pessoas que nos cercam ( os psicopatas sempre fazem referência à ingenuidade das vítimas de seus golpes ). Só a prevenção funciona, uma vez caimos em um golpe não há como revertê-lo. Quando convivemos com pessoa que não tem nenhuma identificação com os sentimentos e valores humanos só a distância e limites pode representar a proteção.

- Com tantos psicopatas gerenciando negócios e empresas como não ser vítima?
O grande recurso é a informação .Uma empresa que é dirigida por um psicopata vai cometer muitas falhas que irão para os órgãos de defesa do consumidor e de imprensa.Se você lê jornais não comprará um apartamento de uma construtora que usou areia do mar em suas obras, matando, desabrigando e lesando inúmeras pessoas. A informação protege e a distância dos psicopatas e seus ´´negócios `` também.O único temor dos psicopatas é serem denunciados. Uma vez conhecida a sua maneira de agir o jogo acaba.

- Porque os portadores do TPA não temem a justiça?
Não a temem porque não têm as emoções normais de um ser humano.Quando envolvidos em questões legais assistem com indiferença os processos, como se não tivessem envolvidos.Quando adquirem muito dinheiro com sua atividade predatória, usam estes recursos para escapar das consequências de seus atos, além de grandes promessas de mudança e arrependimento que às vezes sensibilizam os encarregados da justiça.Quando não têm recursos financeiros e são condenados isto não tem importância. Vão para a prisão onde eles organizam facções criminosas, usam e vendem drogas, recebem entregas de alimentos e ´´ visitas íntimas ``. Eles não se sentem nada penalizados e a única coisa que eles temeriam fica muito afastada deles: o trabalho.
- Há tratamento para estes transtornos?
Os tratamentos para o TPA na maioria das vezes resultam em nada. O emprego do psicofármacos é limitado pelo risco de dependência e as psicoterapias dão pequeno resultado , em função de que os pacientes têm uma mente limitada que não aprende com a experiência. As mudanças que podem ocorrer são muito pequenas e ocorrem em prazos muito longos. Poucos pacientes e terapeutas conseguem esperar que isto ocorra, e há um grande desestímulo neste setor. Muitos terapeutas rejeitam os pacientes com esta condição.

- Então é muito pouco o que pode ser feito em termos de tratamento?
Com esta perspectiva tão limitada às vezes o tratamento consegue ajudar a um ou outro portador de TPA a deixar álcool e drogas, o que já é um beneficio.É função do terapeuta orientar os familiares que terão que conviver sempre com o portador de TPA como minimizar o efeito destrutivo desta patologia. É muito importante que os pais não neguem os problemas de conduta que um filho comece a apresentar, coloquem limites e procurem ajuda para lidar com o problema.
A intervenção precoce tem mais possibilidade de ajudar a obter alguma melhora do que quando o problema já está consolidado ( após a idade de 18 anos ).

- Como poderíamos resumir o tema que foi estudado nesta publicação?

Os aspectos essenciais do estudo do TPA ( psicopatia ou sociopatia ) são:um transtorno de natureza crônica que inicia-se como transtorno de conduta em torno de 15 anos e consolida-se como TPA aos 18 anos.Atinge mais homens do que mulheres, tem componentes genéticos, familiares, neurológicos e sociais.
O número de seus portadores aumenta muito na sociedade atual.Os portadores de TPA tem uma inteligência média e alguns são muito inteligentes. Usam muito os recursos verbais e são muito convincentes nas suas argumentações.Tem alterações no lobo frontal ( a parte do cérebro que controla o relacionamento com as pessoas ) e nos circuitos que controlam as emoções. Estas alterações fazem com que sejam agressivos, irritadiços e estabeleçam relações muito perturbadas.Muitos cometem crimes violentos ( a maioria não ) e são conhecidos os casos de matadores em série, terroristas e líderes do crime organizado.
Uma parte dedica-se a atividades predatórias do ser humano, tendo a enganação como elemento essencial.As possibilidades de tratamento são limitadas pois os portadores de TPA não estabelecem vínculos firmes e duradouros e não aprendem com a experiência.
Quando punidos não aprendem com a experiência, voltando a cometer crimes e violar os direitos dos outros.Não sentem culpa com os atos anti-sociais que cometem e sempre têm explicações e racionalizações. Às vezes chegam a dizer que ´´ matei por amor ``. São pessoas extremamente frias e calculistas. Colocam nos outros ( projetam ) aspectos detestáveis da sua mente e sentem uma espécie de triunfo e grandiosidade quando enganam ou agridem alguém.
As medidas de prevenção não são muitas e consistem em ajudar aos portadores a não se reproduzirem com o excesso que lhes é peculiar, com medidas de apoio.A nível individual a proteção é o conhecimento e boa observação das pessoas com os quais convivemos e com quem fazemos transações comerciais.A sociedade como conjunto pode escolher melhor os políticos que vão representá-la eliminando os predadores velhacos.

Dr. Osvaldo Lopes do AmaralDiretor Clínico do INEF
http://www.inef.com.br/psicopatia.htm

Os psicopatas a nosso redor

De SUSAN ANDREWS
Ridgeway, um dos piores assassinos em série dos Estados Unidos, confessou-se culpado pela morte de 48 mulheres em 2001. Durante o interrogatório policial, ele descreveu o que havia comido no café-da-manhã e depois falou sobre seus horrendos crimes com o mesmo desligamento emocional que demonstrou ao descrever seu desjejum. Gary é bem diferente de Cassie, a menina com síndrome de Williams sobre a qual escrevi na minha última coluna. Cassie é a personificação da empatia, para quem todo mundo é amigo. Gary não tem amigos, só vítimas. É considerado um psicopata.

Desde que o psiquiatra americano Hervey Cleckley escreveu o clássico texto sobre essa desordem mental, A Máscara da Sanidade, em 1941, novas pesquisas têm produzido crescentes insights sobre como os psicopatas pensam. Articulados, inteligentes e autoconfiantes, eles não têm ética, empatia, remorso ou sentido de culpa. Ao contrário das pessoas com síndrome de Williams, que se conectam com quem quer que se encontrem, os psicopatas parecem não ter qualquer apego emocional. Tampouco medo de ser flagrados ou punidos. Personalidades psicopatas não se importam com o sofrimento que suas ações infligem aos outros. São incapazes de se importar.

O assassino Jack Abbott descreveu: “Existem emoções que conheço apenas através de palavras e leitura. Eu posso até imaginar que sinto essas emoções, mas realmente não as sinto”. Imagens cerebrais de psicopatas mostram que experiências emocionais não ativam seus cérebros límbicos emocionais, como nas pessoas normais.
Nem todos os psicopatas são um Hannibal Lecter (personagem do filme Silêncio dos Inocentes) ou um assassino em série. Aparentemente, 1% das pessoas na população, em geral, é psicopata, embora nem todos sejam criminosos. A maioria de nós cruzará com pelo menos uma figura psicopata em um dia normal.

Eles são indivíduos insensíveis e de sangue-frio”, diz o doutor Robert Hare, professor de Psicologia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e criador da ferramenta de diagnóstico usada há 25 anos para identificar os psicopatas. Carismáticos e espertos, eles seduzem por seu charme hipnótico e fluência verbal, apenas para usar impiedosamente suas vítimas segundo seus próprios fins. Cleckley e Hare afirmam que essas pessoas estão por aí e ascendem nas organizações. Diz o psicólogo organizacional americano Paul Babiak: “O clima empresarial de hoje – acelerado, competitivo e muitas vezes caótico – promove o estímulo que os psicopatas buscam e dá cobertura suficiente para seu comportamento manipulativo e abusivo”.
Eles têm consciência do sofrimento que infligem aos outros. Mas são incapazes de se importar

Pesquisadores dizem que os dirigentes com perfil psicopata, que exploram seus subordinados enquanto agradam aos superiores, podem custar caro às organizações. Eles derrubam o moral da equipe, causam excesso de rotatividade e reduzem a produtividade. Hare recomenda que, em vez de considerar essas personalidades charmosas como bons líderes, os empregadores devem avaliar os candidatos cuidadosamente, para identificar aqueles que têm um vistoso MBA, porém são desprovidos de consciência ética.
Psicopatas em potencial podem ser detectados desde cedo, na infância. Embora muitos falhem em estabelecer um senso ético, é possível que alguns desenvolvam remorso e empatia – os pré-requisitos para a moralidade. Pesquisadores na Universidade de South Wales, na Austrália, descobriram que, quanto mais insensíveis e não-emotivas as crianças, maior era a probabilidade de que respondessem bem a recompensas e encorajamento dos pais, mas não a punições por mau comportamento.
Precisamos de uma educação não apenas para o intelecto, mas também para o coração
SUSAN ANDREWS é psicóloga e monja iogue. Autora do livro Stress a Seu Favor, ela coordena a ecovila Parque Ecológico Visão Futuro e escreve quinzenalmente em ÉPOCA. http://www.visaofuturo.org.br/

Psicopatas eles estão entre nós

Como identificar pessoas que podem, de uma hora para outra, cometer crimes tão bárbaros como o que vitimou Eloá
de Suzane Frutuoso
Os psicopatas não se importam de passar por cima de tudo e de todos para alcançar seus objetivos. Mentem, manipulam e não sentem remorso, muito menos culpa. Ao mesmo tempo, são charmosos e simpáticos. Se algo ou alguém ameaça seus planos, tornam-se agressivos. São mestres em inverter o jogo, colocando-se no papel de vítimas. E estão conscientes de todos os seus atos (não entram em delírio, como em outras doenças mentais). "A maioria não mata. Mas é capaz, porém, de sugar emocional e até financeiramente quem cai na conversa deles", diz Ana Beatriz.É a pessoa perfeita, que se mostra encantadora, boa de papo, rapidamente apaixonada - e nunca tem dinheiro para nada ou começa a se mostrar possessiva.
Dá desculpas como "sou ciumento porque meu pai batia na minha mãe" ou pede empréstimos ao parceiro para fazer um novo investimento (e sumir com o dinheiro). É o amigo que diz nunca conseguir emprego, que a família não o compreende e que o chefe o persegue. Por isso, depende de conhecidos para ter onde viver - e passar o dia sem fazer nada útil, usufruindo o conforto que os outros possam lhe proporcionar. É o familiar que humilha, agride física e/ ou verbalmente. Diz ser pavio-curto, mas afirma que isso só acontece porque outro o provocou. Nunca admite um erro e faz as pessoas parecerem culpadas e irresponsáveis. É o profissional simpático e amigo de todos - que logo diz que precisa alertar um colega sobre quanto um terceiro funcionário é falso. Faz intrigas e usa informações íntimas que as pessoas lhes confidenciam para manipulá-las. Nesses exemplos, não há derramamento de sangue, mas prejuízos, financeiros e emocionais, que podem se arrastar por toda a vida de quem cai na teia de um psicopata.Os casos que despertam a atenção costumam ser os hediondos, que provam o grau de frieza a que chega um psicopata.
No Brasil, há uma série de casos chocantes, como os que ilustram esta reportagem. No mundo, uma das histórias que mais horrorizaram, recentemente, foi protagonizada pelo austríaco Josef Fritzl, acusado de manter a própria filha presa no porão de casa durante 24 anos e de ter sete filhos com ela. Na última semana, dois jornais da Áustria revelaram parte do conteúdo do relatório da avaliação psicológica pela qual Fritzl passou. "Percebi que tinha uma veia para a maldade. Para alguém nascido para ser estuprador, até que agüentei por muito tempo", diz, em um trecho do relatório. Mas a maioria dos psicopatas não comete crimes. Prestar atenção no comportamento de algumas pessoas quando notar informações incoerentes ou superficiais é uma forma de se preservar. Desconfiar daqueles que são interessantes e parecem ter uma vida ou currículo fantásticos também. "Eles buscam a vulnerabilidade das vítimas. Cheque a história de vida de indivíduos sedutores", diz a psiquiatra Hilda Morano, coordenadora do Departamento de Ética e Psiquiatria Legal da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Entre os indícios que levam a psiquiatra Ana Beatriz a apontar Lindemberg como um psicopata está a premeditação do crime. "Ele falou para os amigos 'vocês vão ouvir falar de mim esta semana'", lembra Ana Beatriz. Ela vê também traços de egocentrismo no rapaz quando ele repetia no cativeiro ser o "príncipe do gueto". Namorar uma menina tão jovem (quando começaram o relacionamento, Eloá tinha 12 anos e ele 19) demonstraria a necessidade de manipulação. O ciúme que sentia, segundo atestam colegas de escola de Eloá, era a tradução do sentimento de posse sobre alguém que lhe dava prazer e lhe conferia status - a jovem era considerada uma das mais bonitas da comunidade. As idas e vindas do namoro, sempre por decisão de Lindemberg, lhe davam a sensação de controle. Só que, na última vez, a moça não quis reatar a relação. "Era como se ela estivesse quebrando o brinquedo que ele inventou", afirma a psiquiatra, que também descarta o crime passional. "Não foi um ato cometido sob forte impacto, como pegá-la com outro, ter um revólver do lado e atirar movido pela emoção. Ele planejou a ação.Há quem arrisque dizer que Lindemberg é dono de um comportamento infantilóide. Até por isso, ele namorava uma menina mais nova. Eloá fazia parte do sonho adolescente de realização - era a namorada bonita que lhe pertencia, assim como a moto. "Ele teve uma crise de auto-afirmação diante da moça. Até então, se considerava o bom", afirma o psiquiatra forense Guido Palomba, presidente da Academia de Medicina de São Paulo. Palomba diz que para provar a Eloá que continuava sendo o bom - e assim reconquistá-la - o jovem aproveitou a situação para se exibir, conversar com a polícia, estender na janela a camisa do time, dar entrevistas à tevê. "Ele não sairia de lá de cabeça baixa, como um fracassado na frente dela", questiona o psiquiatra.
Está comprovado que o distúrbio na mente dos psicopatas acontece no sistema límbico, parte do cérebro responsável pelas emoções. Nessas pessoas, a atividade cerebral na região funciona menos do que deveria e, por isso, as emoções não afloram.
Para elas, não há diferença entre uma cena de um estupro ou de um pôr-do-sol, por exemplo, como comprovou um estudo de dois neurologistas brasileiros, Jorge Moll e Ricardo Oliveira. Voluntários foram submetidos a uma seqüência de cenas, que mesclavam guerras e crianças brincando, entre outras situações. Exames de ressonância magnética revelaram que, quando a imagem era agressiva, o sistema límbico entrava em ebulição. A atividade registrada era maior devido à repulsa. Para os psicopatas, não houve diferença. A atividade cerebral não se alterava, independentemente da cena. A racionalidade deles é tamanha que não são pegos em detectores de mentira. Sabem exatamente o que estão fazendo e mentem com naturalidade.
Não há tratamento para esses casos. Psicoterapia e psicanálise podem até ensiná-los a manipular com ainda mais maestria, uma vez que aprendem detalhes sobre o comportamento humano. Por outro lado, psicopatas são satisfeitos consigo mesmos por não apresentarem constrangimentos morais ou sofrimentos emocionais. Descobrir o que ocorre no cérebro deles, além do que já é sabido sobre o sistema límbico, é um passo considerável para abrir frentes de pesquisa que busquem tratamentos.
A psiquiatria começa a considerar a possibilidade de estudos com a implantação de eletrodos no cérebro que emitam pequenas descargas elétricas para regular o funcionamento, como já acontece com pacientes de depressão e mal de Parkinson. Por enquanto, é apenas uma hipótese. Tratamento mesmo só para as vítimas, que geralmente apresentam problemas emocionais depois de serem enganadas e agredidas.
Psicopatas nascem psicopatas. É importante registrar, porém, que o mundo contemporâneo está repleto de gatilhos para a psicopatia entrar em ação, como a impunidade. "Quando eles sabem que as leis não funcionam, se sentem à vontade para agir como bem entendem", diz Hilda Morano. A internet também se tornou uma porta de acesso fácil e rápida para manipuladores conseguirem seus objetivos e sedutores conquistarem pessoas indefesas. "Para pedófilos, por exemplo, é um trunfo. Eles não precisam se expor se aproximando de uma criança na rua", diz a psiquiatra Ana Beatriz.
A atual cultura do "ter" também contribui. "Ela é um estímulo para conseguir um objeto de desejo a qualquer preço", afirma o médico Vladimir Bernik, coordenador da equipe de psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Quando a convivência com um deles for inevitável - como no trabalho, por exemplo -, a solução é se preservar, sem dar detalhes pessoais. Pode parecer exagero. Em muitos casos, até é. Mas, como diz a psiquiatra Ana Beatriz, só assim menos vidas serão dilaceradas.
Colaborou Claudia Jordão
http://wwwterra.com.br/istoe/edicoes/2034/artigo113504-2.htm

POR ONDE ANDAM OS PSICOPATAS

Como explicar comportamentos cruéis e desumanos que com frequência viram notícia?

Casos que chocaram a sociedade pela frieza e indiferença dos criminosos ilustram o livro “Mentes perigosas” (Ed. Fontanar) da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva.
Exemplos, como o da empresária de Goiânia que maltratou e torturou por dois anos, de forma bárbara a menina que morava em sua casa, de Champinha, de 16, que seqüestrou e assassinou com requinte atroz um casal de jovens namorados, dos Nardoni, de Suzane von Richthofen e tantos outros, estão presentes no livro. Esses casos emblemáticos se tornaram públicos porque violaram vidas.
No entanto, ao falar de psicopatas, a médica alerta para um equívoco muito comum entre os leigos: imaginamos sempre esses indivíduos como truculentos, de aparência descuidada, pinta de assassino e desvios de comportamento óbvios. Mas nem sempre é assim, e sem a visibilidade desses estereótipos fica muito difícil identificá-los antes de virar uma de suas vítimas.

A psicopatia é um transtorno que possui vários níveis de gravidade, vai do leve ao severo. Embora nem todos psicopatas empreguem a brutalidade física, todos deixam marcas de destruição por onde passam. Quando não matam, arruínam empresas e famílias, provocam intrigas e destroem sonhos. Suas vítimas são envolvidas pelo charme, eloquência e inteligência da personalidade psicopática. Muitos vivem uma vida inteira sem serem diagnosticados ou responsabilizados pelos danos que causam.

Como diz a autora, em seu livro: “Esses predadores sociais com aparência humana estão por aí, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas definitivamente não são como a maioria das pessoas, aquelas a quem chamaríamos de pessoas do bem”.
Ana Beatriz descreve os psicopatas como pessoas frias, insensíveis, manipuladoras, perversas, transgressoras de regras sociais, impiedosas, imorais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão, culpa ou remorso. São verdadeiros atores, representando com esmero um papel doce, amistoso e encantador até alcançarem seus objetivos.

“Quem acredita no amor e na compaixão como regras básicas de convivência tem dificuldade de aceitar que existam pessoas sem o menor sentimento de culpa ou remorso por desapontar, magoar, enganar ou tirar a vida de alguém. Mas os psicopatas estão absolutamente livres de constrangimentos ou julgamentos morais internos e por isso podem fazer o que quiser, de acordo com seus impulsos destrutivos”, explica a psiquiatra.

Desconfiando para se proteger
Como escapar de pessoas tão destrutivas? Ana Beatriz reconhece não ser fácil, porque os psicopatas costumam ter charme acima da média e capacidade de convencimento muito alta. Mas, a autora oferece algumas pistas que servem de alarme e podem evitar associações e relacionamentos perigosos.

- Conheça melhor a história das pessoas que entram em sua vida. Em geral, nos baseamos só na convivência ou nos fatos contados por ela própria. Mesmo agindo com cautela, não deixamos de correr riscos e podemos ser surpreendidos pela falta de sentimentos nobres em gente ligada à nossa intimidade.

-Fique atento ao “jogo da pena”, pois esse sentimento deixa a pessoa vulnerável emocionalmente e, por isso, os indivíduos inescrupulosas o exploram. Os psicopatas costumam manipular os sentimentos de solidariedade para dominar e controlar. Despertando piedade se tornam poderosos.

- Mantenha-se alerto com pessoas egocêntricas e megalômanas. Os psicopatas possuem uma visão narcisista e supervalorizada de seus valores e importância. Acham-se superiores aos outros, daí acreditarem que têm direito de seguir as próprias regras.

- Tome cuidado com pessoas que não são capazes de ter empatia, ou seja, que não conseguem se colocar no lugar do outro e respeitar o sentimento alheio. Sensibilidade e generosidade são consideradas fraquezas pelos psicopatas que são indiferentes ao sofrimento dos outros.

- Afaste-se de quem não se arrepende ou sente remorso por suas atitudes inadequadas.

Desconfie do “romance” impecável, do sócio(a) mais que perfeito ou da amizade exageradamente prestativa e disponível.

Reconhecer um psicopata não é tarefa fácil

PSICOPATAS

de ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI-ALOMERCE E AOUVIRCE.

A revista “Isto É”, de 29/10/2008, ano 31 / nº. 2034, traz uma matéria assaz interessante. A reportagem é assinada pela jornalista Suzane Frutuoso, tem como ponto forte a alusão de que os psicopatas estão entre nós.
Ela fala também como identificar pessoas que podem, de uma hora para outra, cometer crimes tão bárbaros como os que vitimaram Isabella e Eloá. São no linguajar médico as psicopatias.

Reconhecer um psicopata não é tarefa fácil, pois muitos fatores concorrem para que uma pessoa normal se transforme num psicopata em potencial.
Já que falamos em psicopatas o que seria este tipo de pessoa, como poderíamos definir? Em psiquiatria a psicopatia se robustece e tem como ponto de partida qualquer doença mental; psicose.
A pessoa de ambos os sexos que se encontram no estado mental patológico caracterizado por desvios, sobretudo caracterológicos, que acarretam comportamentos anti-sociais. Pode-se também agregar a sinonímia um tipo de psicose do ser humano. “Se quem age suspeita que está cometendo um equívoco, quem observa terá certeza do erro, principalmente se for um rival. Se, no calor da paixão, toma-se uma decisão apressadamente e com dúvidas, depois a tolice será condenada. É perigoso fazer algo de que a própria prudência duvida. Nesses casos, é mais seguro não fazer nada.A sensatez não joga com as probabilidades, anda sempre a luz da razão. Como pode dar - certo uma idéia que logo depois de concebida já desperta receios? “E se a decisão tomada sem dúvida interior costuma sair mal, o que esperar da que começou com dúvidas - razoáveis e justificados maus diagnósticos”?
Sempre existe um receio e uma dúvida nas respostas e como encarar esta difícil situação. Queria afirmar que não somos médico, mas isto não impede de emitir uma opinião.
Compreender melhor o funcionamento dos psicopatas é uma tarefa de importância vital para a humanidade. O número de portadores deste transtorno cresce vertiginosamente e eles se infiltram em todos os âmbitos do tecido social, do direito à medicina, da polícia ao mundo dos negócios e principalmente na política. O resultado é a condição de total insegurança que vivemos nas ruas, no trânsito e dentro de nossas casas. “A ação de psicopatas dentro de grandes empresas quebram a confiança de acionistas e investidores que não acreditam nos dados fornecidos pelas empresas e em seus auditores”. O Brasil tem um número acentuado de psicopatas, mas ninguém tomou uma decisão para avaliar o perigo que estamos passando.

Baltasar Cracián emite alguns conselhos sobre o comportamento das pessoas.O Dr. Osvaldo Lopes do Amaral - Diretor Clínico do INEF, especialista no assunto fala com propriedade do assunto até então quase ignorado pela maioria da população brasileira. Será que existem psicopatas em nossas famílias? Talvez sim. Corremos o risco.
As reações dos psicopatas precisam ser conhecidas de todos. Vejam a importância dessa conotação: “O acionar dos psicopatas no mundo da política tornou o mundo mais empobrecido e sem perspectivas para bilhões de seres humanos. É do contingente dos portadores deste transtorno que saem os autores dos piores crimes contra a humanidade embora um grande número deles não chegue a cometer crimes violentos”. “Os psicopatas são seres atormentados que fazem sofrer outros seres humanos mais dom que se pensa e mais do que eles próprios sofrem, por razões que ficarão mais claras neste estudo”. “São seres muito destrutivos em suas relações com o ambiente, com eles próprios e principalmente com as pessoas com quem se relacionam”. “A sua conduta dizimadora os transforma no grande inimigo do ser humano.
É muito importante delimitar o conceito de psicopatia para que não se torne um rótulo aplicado indiscriminadamente, como já ocorreu com opositores de regimes totalitários e com seres humanos levados à delinqüência como última possibilidade de sobrevivência”. Mais conhecido como TPA (transtorno de personalidade anti-social. Insanidade sem delírio, transtorno bipolar, entre outros. Não existe uma causa única que determine o TPA.
É um transtorno multideterminado o que significa que é o resultado de uma somatória de múltiplos fatores.
“Fatores genéticos (os parentes em 1º grau do portador têm cinco vezes mais possibilidades de desenvolver o transtorno que pessoas da população em geral).
Fatores próprios da mente de cada indivíduo; cada pessoa tem uma conformação própria que é - resultado da interação de fatores inatos com as experiências e relações de cuidados (físicos e afetivos) no início da vida. Há internalizações dos vínculos primários, o que ocorre de forma diferente em cada indivíduo, determinando que cada pessoa tenha uma arquitetura interior diferente.
Fatores de ordem neurológica, que mostram alterações já bem estudadas do sistema nervoso. Fatores de ordem social também participam. A aspiração sociológica aspira liberdade e distância de imposições de cunho - denominador e autoritárias e isto influencia o desenvolvimento dos psicopatas.
Os psicopatas interpretam a falta de normas que temos no mundo atual como licença para violentar os direitos dos outros e não como espaço para a cidadania.

A problemática da doença é que preocupa os médicos, visto que ninguém nasce psicopata.
São as condições sociais da vida de cada ser humano que levam a este mal. Aqueles que não se adaptam as normais sociais que regem o comportamento sério e legal são presas fáceis da doença.
O assunto é polêmico pela notoriedade que as ações dos psicopatas trazem para a sociedade. Muitos que estão na cadeia ou em presídios de segurança máxima são extremamente psicopatas.Aqueles que manifestam o prazer em roubar, matar, levar sofrimento aos outros podem ser considerados psicopatas. Falta de adaptação ao meio em que vive é um risco. Existem inúmeras nuanças para que o indivíduo se torne psicopata, o diagnóstico mais preciso é o do médico especialista.
O médico desempenha um papel primordial na conduta da sociedade, mas infelizmente esta importância sempre é relegada a um segundo plano. Irritabilidade e agressividade, indicado por brigas e agressões repetitivas são indícios.

A Folha de São Paulo publica com exclusividade que já existe um novo teste para identificar psicopatas. O teste --composto de tarefas e perguntas respondidas por computador-- mostra que psicopatas assassinos fazem associações cognitivas anormais com a violência em comparação com outros criminosos. Essas associações apóiam suas ações. "Se a diferença for detectada antes que o ataque aconteça, esse teste se torna uma importante ferramenta para distinguir os psicopatas que podem cometer crimes extremamente violentos dos que não o fariam", explicou a principal autora do estudo, Nicola Gray. "Essa é a primeira vez que nós realmente pudemos ter acesso às mentes de criminosos violentos e saber quais conceitos está faltando.” Os cientistas esperam usar o teste para avaliar pessoas acusadas de crimes, mas que alegam inocência, e avaliar presos que pedem liberdade condicional. Assunto polêmico só com especialistas no assunto. Em consonância com os profissionais aqui citados estamos emitindo o nosso parecer.

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI-ALOMERCE E AOUVIRCE.
http://www.artigos.com/artigos/saude/medicina/psiquiatria/psicopatas-6384/artigo/

Personalidade Psicopática

Personalidade Psicopática, Sociopata, Personalidade Anti-social ou Dissocial ?

Alguns autores não vêem como sinônimo, a Personalidade Psicopática e a Personalidade Anti-social.
A Personalidade Anti-social, segundo os autores que a diferenciam da psicopática, se constitui num caso mais franco, declarado e aberto de anomalias no relacionamento, ou seja, menos dissimulado e teatral que a psicopática. Essas pessoas costumam ser mais impetuosas, contestam com mais franqueza as normas sociais, criam mais transtornos e animosidades com os demais e, por fim, estão mais associados aos fatores de criminalidade que os psicopatas.

De acordo com essa visão, os psicopatas costumam ser até mais perigosos que os sociopatas, tendo em vista sua maneira dissimulada de ocultar a índole contraventora. Os sociopatas atentam contra as normas sociais mais abertamente que os psicopatas.
Para nós, e creio que academicamente também, será benéfico tomar o sociopata e o psicopata como a mesma ocorrência.

O DSM.IV chama esses casos de Personalidades Anti-sociais e a CID.10 de Personalidades Dissociais, ambos afastando-se da denominação Psicopata. Isso se deve, exclusivamente, à natureza etimológica da palavra.
Por uma questão de coerência, assim como a cardiopatia significa qualquer patologia que acontece sobre o coração, o termo psicopatia deveria referir-se a qualquer patologia psíquica. Portanto não é correto, etimologicamente, chamar de psicopatas apenas os sociopatas. (Veja esses transtornos no DSM.IV e na CID.10 como Personalidade Dissocial).
http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=91&art=149

Diagnósticos sobre Psicopatas

Personalidade perversa – Caracteriza-se por uma acentuada debilidade dos sentimentos sociais que pode resultar da ignorância das normas éticas habituais, das exageradas tendências instintivas anti-sociais, da incapacidade de compreensão das obrigações morais. Nos casos de personalidade perversa, a inteligência quanto mais desenvolvida, mais grave torna o caso, porquanto ela é, então, utilizada para mascarar melhor os atos amorais. Estes são realizados, menos pelos resultados materiais que possam trazer, que pelo prazer ou satisfação que despertam.
Cleckley, estabeleceu, em "A máscara da saúde", alguns critérios para o diagnóstico do psicopata, em 1976, Hare, Hart e Harpur, completaram esses critérios. Somando-se as duas listas podemos relacionar as seguintes características:
1. Problemas de conduta na infância.2. Inexistência de alucinações e delírio.3. Ausência de manifestações neuróticas.4. Impulsividade e ausência de autocontrole.5. Irresponsabilidade6. Encanto superficial, notável inteligência e loquacidade.7. Egocentrismo patológico, autovalorização e arrogância.8. Incapacidade de amar.9. Grande pobreza de reações afetivas básicas.10. Vida sexual impessoal, trivial e pouco integrada.11. Falta de sentimentos de culpa e de vergonha.12. Indigno de confiança, falta de empatia nas relações pessoais.13. Manipulação do outro com recursos enganosos.14. Mentiras e insinceridade.15. Perda específica da intuição.16. Incapacidade para seguir qualquer plano de vida.17. Conduta anti-social sem aparente arrependimento.18. Ameaças de suicídio raramente cumpridas.19. Falta de capacidade para aprender com a experiência vivida.

K. Eissler, no final da década de 40, considerava os psicopatas como indivíduos com ausência de sentimentos de culpa e da ansiedade normal, superficialidade de objetivos de vida e extremo egocentrismo.
Os irmãos Mc Cord, em 1956, descrevem sua "síndrome psicopática" com as seguintes características: escasso ou nenhum sentimento de culpa, capacidade de amar muito prejudicada, graves alterações na conduta social, impulsividade e agressão.

http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=91&art=149

Otto Kemberg sobre Narcisismo Maligno

Otto Kemberg classifica a sociopatia de modo diferente.
Para ele é extremamente difícil fazer o diagnóstico da psicopatia, quando a situação clínica não está claramente definida.
Autores psicanalíticos consideram a Psicopatia como uma grave patologia do Superego como sendo uma síndrome de Narcisismo Maligno, cujas características seriam a conduta anti-social, agressão ego-sintônica dirigida contra outros em forma de sadismo, ou dirigida contra se mesmo em forma de tendências automutiladoras ou suicidas sem depressão e conduta paranóide.
A estrutura de tipo narcisística do psicopata teria a seguintes características: auto-referência excessiva, grandiosidade, tendência à superioridade exibicionismo, dependência excessiva da admiração por parte dos outros, superficialidade emocional, crises de insegurança que se alternam com sentimentos de grandiosidade.
Portanto, dentro das relações de objeto (com os outros), seria intensa a rivalidade e inveja, consciente e/ou inconscientemente, refletidos na contínua tendência para exploração do outro, incapacidade de depender de outros, falta de empatia com para com outros, falta de compromisso interno em outras relações.
Otto Kemberg vê neste narcisismo patológico um componente psicodinâmico para o diagnóstico da psicopatia. O narcisismo não patológico é conseqüência de uma boa evolução do Ego, uma aceitação da realidade e como essa realidade pode ser usada para satisfazer as necessidades dirigidas ao exterior e ao objeto. As pessoas que não realizaram bem esta formação, por não haver interiorizado suficiente amor e estima recebidos do meio, acabam por desenvolver defesas narcisistas muito fortes.

http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=91&art=149

Correlatos da Emoção em Psicopatas

Antonio de Pádua Serafim, Ph.D
Núcleo de Psiquiatria e Psicologia Forense (NUFOR)
Serviço de Psicologia e Neuropsicologia
Instituto de Psiquiatria - HCFMUSP
As vivências como a alegria, a tristeza, o medo, a raiva e o amor fazem parte da dinâmica de vida do ser humano, e são expressas diariamente, dentro de uma manifestação considerada tolerável (GRIFITHS, 1997).

Todavia, vários fatores podem contribuir para uma expressão desproporcional à situação desencadeadora, tais como: doenças metabólicas e endócrinas, lesões no sistema nervoso central, transtornos de personalidades (boderline, paranóica, dependente, narcísica, explosiva; anti-social), psicoses, abuso e dependência de álcool e drogas, etc (HART e HARE, 1996; TIEDENS, 2001).De acordo com TIEDENS (2001) as alterações da expressão das emoções se configuram pelo seu exagero ou por sua total ou parcial ausência. Essas alterações na expressão do medo (baixa resposta de ansiedade, por exemplo), raiva (nível elevado) e amor (redução de expressão de docilidade), são consideradas importantes fatores de risco para as condutas socialmente inadequadas.

Há um consenso na literatura de que essas características apresentam-se com maior intensidade e freqüência em sujeitos portadores de transtorno de personalidade anti-social, colaborando para a manifestação de comportamentos e condutas violentas, caracterizadas por manifestações de brutalidade, crueldade, indiferença emocional, ausência de culpa ou remorso (LYKKEN, 1995; HART e HARE, 1996; MILLON, et al., 1998; HARE, 1999, SERAFIM, 2005). LORENZ (2002), HALE (2004) e SERAFIM(2005) também observaram que alguns sujeitos condenados por crimes violentos (como estupro e homicídio) e classificados com transtorno de personalidade anti-social apresentam baixos níveis de ansiedade, elevados níveis de impulsividade e ausência de sentimentos éticos.Essa descrição converge para a hipótese de que esses indivíduos apresentam uma inadequação no funcionamento do sistema nervoso autônomo, diferentemente de pessoas consideradas normais.

...


Segundo MILLON (1998) e LEVENSTON et al. (2000) esses indivíduos não manifestam o tipo mais comum de comportamento agressivo, que é o da violência acompanhada de descarga emocional (geralmente raiva ou medo) e nem ativação do sistema nervoso simpático (dilatação das pupilas, aumento dos batimentos cardíacos e respiração). Seu tipo de violência é similar à agressão predatória, que é acompanhada por excitação simpática mínima ou por falta dela, e é planejado, proposital, e sem emoção ("a sangue-frio"). Os estados afetivos apresentam-se sem reciprocidade e sem um verdadeiro interesse pelo outro.

Esse déficit na resposta emocional se apresenta como um importante aspecto dominante comumente observado na literatura científica sobre o comportamento de alguns criminosos, notadamente quando este se apresenta com manifestações explícitas de requintes de “sadismo, crueldade e frieza” (LEVENSTON et al., 2000).

Quando falamos de “frieza emocional”, estamos pensando naquelas pessoas que não esboçam o menor sinal de constrangimento, tensão ou ansiedade diante de uma situação estressante. O termo ansiedade caracteriza um estado emocional inserido no espectro de normalidade das experiências humanas composto de componentes psicológicos e fisiológicos. Uma resposta de ansiedade, geralmente reflete uma resposta de adaptação a uma situação de ameaça ao organismo.

Esta resposta, impõe ao animal ou ser humano mobilizações fisiológicas tais como alterações da freqüência cardíaca, respiratória, condutância elétrica da pele, sudorese, palidez ou ruborização (GROSS e HEN, 2004; ANTAI-OTONG, 2003). A ansiedade pode ser dividida em estado e traço.

De acordo com SPIELBERGER et al. (1979) o estado de ansiedade é conceitualizado como um estado emocional transitório ou condição do organismo humano que é caracterizada por sentimentos desagradáveis de tensão e apreensão, conscientemente percebidos e por aumento na atividade do sistema nervoso autônomo.

O traço de ansiedade por sua vez, refere-se a diferenças individuais relativamente estáveis na propensão à ansiedade, isto é, a diferença na tendência de reagir a situações percebidas como ameaçadoras.LORENZ e NEWMAN (2002) observaram que diante de situações geradoras de estresse, criminosos com psicopatia apresentam em geral baixas respostas de ansiedade estado, comparados com sujeitos normais. Este padrão de comportamento tem corroborado a hipótese da existência de uma deficiência em suas reações aos estímulos evocadores de medo. Esse funcionamento estaria diretamente envolvido com a possível causa de sua insensibilidade (PATRICK 1994; SCHIMITT e NEWMAN, 1999).EMERY e AMARAL (2000) sugerem que a principal falha da estrutura emocional - baixos níveis de respostas de ansiedade - está relacionada com a amígdala cerebral. A amígdala, localizada na profundidade de cada lobo temporal anterior funciona de modo íntimo com o hipotálamo e mantém conexão direta com o lobo pré-frontal. A sua principal função é identificar situações de perigo que geram medo e ansiedade. A percepção seja de medo ou ansiedade, leva animais e humanos a ativar um estado de alerta, preparando-os para possíveis reações de fuga ou enfrentamento.

Em animais com lesões nas conexões da amígdala o estado de alerta não é ativado frente a uma situação de ameaça (LeDOUX, 1996). GRAY (1978) verificou que lesões no septo e no hipocampo dorsal têm efeitos semelhantes aos de ansiolíticos, isto é, reduzem os níveis de ansiedade (sistema de inibição comportamental). Para GRAY o sistema de inibição comportamental é resultado da ativação por três tipos de estímulos: 1) estímulos condicionados aversivos que adquirem essa propriedade por terem sido associados anteriormente com estímulos aversivos incondicionados ou pela sinalização de uma não recompensa (frustração); 2) estímulos inatos de perigo, como aqueles que sinalizam ameaças que são específicas de cada espécie, como predadores; 3) estímulos ou situações novas, que se caracterizam por fontes de satisfação de necessidades biológicas (recompensa) ou podem ser revestidos pela percepção de risco de ameaças imprevisíveis (ameaça). Quando o sistema inibitório é ativado o padrão de comportamento comumente observado é o congelamento ou a imobilidade intensa, seguido do aumento da vigilância e da atenção em decorrência de perigos em potencial (GARAVAN et al., 2001).

...

Aparentemente nos psicopatas predomina um padrão de funcionamento que inibe a ativação do sistema inibitório descrito por GRAY (1978) considerando principalmente a percepção antecipatória de perigo ou punição. Em outros estudos PATRICK (1994) avaliou agressores criminosos psicopatas que foram solicitados a observar projeções de imagens do acervo do IAPS. Enquanto os criminosos olhavam para as imagens eles eram assustados subitamente com sons inesperados.

Quando pessoas normais estão vendo imagens agradáveis, a resposta de susto (um piscar de olhos, por exemplo) é de menor magnitude do que quando as imagens são desagradáveis (representando agressão, sangue, horror, por exemplo), isto é, diante de imagens desagradáveis há aumento na ativação dos músculos da face. Imagens neutras têm uma resposta de susto no ponto intermediário daquelas de prazer e desprazer (PATRICK et al., 1993). Com alguns criminosos observou-se um padrão oposto: piscaram menos os olhos em resposta ao barulho quando estavam assistindo imagens desagradáveis. Entretanto, somente os criminosos psicopatas apresentaram uma característica de indiferença emocional para esta situação experimental (PATRICK et al., 1993). O processo de investigação experimental desse padrão de funcionamento emocional em psicopatas teve início na década de 50. Entretanto, utilizando registros poligráficos e eletroencefalograma GOLDSTEIN (1965) observou que em pessoas normais quando submetidas a situações experimentais estressantes há uma estreita relação entre a ativação do sistema nervoso autônomo e o córtex cerebral, medida pelo eletroencefalograma. Esses sujeitos apresentaram um maior tempo para recuperar o padrão fisiológico após uma experiência de medo ou tensão comparados aos psicopatas. Nos psicopatas a responsividade cortical sob tensão (isto é, a capacidade de avaliar uma situação como geradora de tensão, manifestar alterações fisiológicas autonômicas como o ritmo cardíaco e restabelecer o equilíbrio dessa alteração) apresenta-se com uma flutuação ou variação menor que outros sujeitos, isto é apresentam um excesso de ondas lentas. HARE (1968) sugere que esse mecanismo não ocorre nos psicopatas porque eles apresentam um rebaixamento do estado de excitabilidade cortical. DAMÁSIO (1996) postulou a hipótese do “marcador somático” com o objetivo de explicar esse padrão emocional dos psicopatas. Indivíduos normais ativam os chamados "estados somáticos" (alterações na freqüência cardíaca e respiração, dilatação das pupilas, sudorese, expressão facial, etc.) em resposta à punição associada às situações sociais. Por exemplo, uma criança quebra alguma coisa valiosa e é punida severamente por seus pais, evocando estes estados somáticos. Da próxima vez que ocorrer uma situação similar os marcadores somáticos são ativados e a mesma emoção associada à punição é sentida. De modo a evitar isto, a criança suprime o comportamento indesejado.

De acordo com DAMÁSIO (1996) pessoas com danos no lobo frontal são incapazes de ativar estes marcadores somáticos. Para esse autor: "isto deprivaria o indivíduo de um dispositivo automático para sinalizar conseqüências deletérias relativas a respostas que poderiam trazer a recompensa imediata". E isto explica também porque os psicopatas e pacientes com danos no lobo pré-frontal mostram poucas respostas autonômicas a palavras condicionadas socialmente e imagens com conteúdo emocional, mas têm respostas normais a estímulos incondicionados.Estudos utilizando a neuroimagem associada a palavras de diferentes conteúdos emocionais têm demonstrado que as regiões pré-frontais e áreas relacionadas a amígdala cerebral e ao sistema límbico são intensamente ativadas em pessoas normais, o que não se observa nos psicopatas (KIEHL et al., 2001; KIEHL et al., 2004; BLAIR, 2004).

Os achados neuroanatômicos como possíveis fatores associados ao déficit emocional em criminosos psicopatas ainda não são consistentes, visto que, o número de sujeitos que apresentam alguma alteração morfológica é baixo em relação aos que não apresentam essas alterações (JOZEF e SILVA, 1999; LAPIERRE et al., 1995; GORENSTEIN, 1982). Todavia, ao abordarmos os aspectos etiológicos da psicopatia, cometeremos um importante erro, caso, descartarmos a integração dos fatores biológicos, psicológicos e sociais.

A palavra PSICOPATA do grego PSYKHÉ=alma e PATHÓS=doença

PSICOPATAS

A palavra PSICOPATA (do grego PSYKHÉ=alma e PATHÓS=doença) com um significado de uma pessoa que sofre de doença mental

Portanto a PSICOPATIA (podemos até inferir como sendo uma CRIMINALIDADE, onde o indivíduo apresenta uma perturbação com relação ao tempo, ou seja, o viver do psicopata se desintegrou do tempo real, a sua óptica se desmanchou, se curvou num abismo tamanho; e o seu comportamento frente ao outro se acha em choque),vem a ser qualquer perturbação mental específica, numa instabilidade emocional ,que faz com que o indivíduo apresente uma incapacidade para restringir e ou controlar certos impulsos, aliás , impulsos estes anti-sociais.Contudo nota-se que o indivíduo psicopata vive e participa em sociedade de maneira aparentemente equilibrada.

A Psicopatia consiste numa estrutura anormal e desequilibrada do caráter do indivíduo frente à sociedade,

1) com atitudes e atos pouco sociais,
2) associais e
3) anti-sociais.

O psicopata vem a ser aquele indivíduo que se coloca fora dos padrões sociais aceitos, é aquele indivíduo que se opõe à sociedade (muitos criminosos são psicopatas, porém nem todos psicopatas são criminosos).

Existem psicopatas que socialmente nunca criam casos, até desejam se reformular em suas atitudes, tentam com certa dedicação, se engajar satisfatoriamente na sociedade, porém são criaturas por demais estranhas, singulares, inadaptados, difíceis, diferentes, etc. (sem querer rotular, mas realmente são pessoas diferentes)

Um caso muito singular é o de HITLER E O NAZISMO CRUEL, onde a monstruosidade, a sagacidade, a insensibilidade se fizeram notar de maneira bastante clara.

Muitos são os estudiosos, como jornalistas, historiadores, sociólogos e psicólogos, frente ao NAZISMO, e o questionar de “o que leva um ser humano a agir de determinada forma numa dicotomia de valores éticos,”? , mas há também divergências nas questões:-

1)personalidade de A.Hitler,
2)a sociedade alemã e
3) circunstancias históricas.

E fica a pergunta:- “Qual foi realmente a causa que fez despencar em uma mente humana, no percurso da história, tamanha atrocidade”?

Para muitos existe uma tentativa, ainda que não se justifique frente ao barbarismo, de se estudar o porquê de um comportamento tão quebrado.

Claude Lanzmann repudia ferozmente toda e qualquer anuência de tal comportamento nazista e suas possíveis interpretações, o que é de se compreender.

Mas também se deve observar que tal comportamento ocorreu, e de que hoje em dia, observamos também certas incoerências e horrores no comportamento humano.

ü Hitler como um psicopata, apresenta uma personalidade demagógica de manipulação, toda dissociada, num espargir sadismo, tortura, suicídio, genocídio, homicídio, etc.

Assim sendo, longe de mim, querer abafar a maldade humana, e na certeza do enorme sofrimento imposto a milhares de seres humanos, cabe aqui uma tentativa de se descobrir o profundo de um comportamento tirânico, o que se enquadra na patologia de um psicopata.

Hitler como uma pessoa mentalmente desequilibrada, num distúrbio de agressão projetada no povo judeu principalmente, numa disfunção na estrutura do seu EGO, nada mais fez do que assassinar uma sociedade, e também se automutilar, e se automatar. (ele foi um assassino suicida).

A sociedade da época também evidenciou uma cumplicidade num ACOMODAR-SE, num ACEITAR, até parece que Hitler com o seu todo poderoso esplendor de chanceler, encegueceu uma nação que, cordatamente aceitou sem qualquer questionamento.

PSICOPATAS /PARTE I – Fonte: Scielo Brasil
Suely Bischoff Machado de Oliveira
Psicóloga CRP 06/8495
Escritora e poetisa
Pós-graduada pelo Hospital do Câncer A.C.Camargo
http://www.webartigos.com/articles/17625/1/psicopatas--parte-i---fontescielo-brasil/pagina1.html

LINKS Psicopatas

http://www.inef.com.br/psicopatia.htm

http://pessoas.hsw.uol.com.br/psicopata.htm

http://br.geocities.com/jlpagebr/psicopatas.html

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG79349-6048-489,00-OS+PSICOPATAS+A+NOSSO+REDOR.html

http://wwwterra.com.br/istoe/edicoes/2034/artigo113504-1.htm

http://www.igeduca.com.br/artigos/dia-a-dia/por-onde-andam-os-psicopatas.html

http://www.artigos.com/artigos/saude/medicina/psiquiatria/psicopatas-6384/artigo/

http://pesquisarparajudar.blogspot.com/2006/02/psicopatas-do-quoditiano.html

http://www.webartigos.com/articles/17625/1/psicopatas--parte-i---fontescielo-brasil/pagina1.html

http://www.lerdeviaserproibido.com.br/tag/psicopatas/

http://www.visumconsultoria.com.br/vartigo.html


LEGISLAÇÃO
http://br.vlex.com/tags/psicopatas-2354506

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